
O comportamento do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas semanas que antecedem o segundo turno da eleição presidencial passou a ser acompanhado com atenção nos bastidores de Brasília. Segundo o jornalista Diego Amorim, do PlatôBR, advogados e lideranças políticas avaliam a possibilidade de novas decisões e operações envolvendo investigações sob responsabilidade do magistrado.
De acordo com Diego Amorim, integrantes da classe política atribuem ao Supremo parte do desempenho alcançado por Flávio Bolsonaro e pela direita no primeiro turno. Nesse cenário, interlocutores citados pela coluna avaliam que Dino teria participação relevante no desgaste atribuído à Corte. Nos bastidores, críticos chegaram a utilizar a expressão “Dinocracia” para se referir à atuação do ministro.
A publicação relembra ainda um episódio ocorrido há cerca de 20 anos, quando Dino deixou a magistratura para disputar uma vaga de deputado federal pelo PCdoB do Maranhão. Questionado naquela ocasião sobre a mudança de carreira, ele respondeu: “Se não der certo, faço concurso de novo e volto para a magistratura”.
Ainda conforme o PlatôBR, pessoas próximas ao ministro acreditam que ele não concordaria com a avaliação de que decisões do STF contribuíram para o resultado eleitoral e poderia intensificar sua atuação nas três semanas que antecedem o segundo turno.
Entre advogados que atuam nos tribunais superiores e lideranças políticas, segundo Diego Amorim, existe expectativa sobre eventuais operações autorizadas por Dino que possam alcançar direta ou indiretamente pessoas ligadas a Flávio Bolsonaro. A coluna ressalta que essas possibilidades são tratadas como avaliações e especulações dos bastidores de Brasília.
Uma das hipóteses mencionadas envolve investigações sobre possíveis desvios de emendas parlamentares, que poderiam atingir aliados do bolsonarismo. O advogado Willer Tomaz, apontado pela publicação como próximo de Flávio Bolsonaro, também é citado entre os possíveis alvos especulados por interlocutores da coluna.
Outro nome mencionado é o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), devido à relação dele com o ministro André Mendonça, do STF. Segundo o relato de Diego Amorim, haveria entre interlocutores a avaliação de que movimentos envolvendo pessoas próximas a Mendonça poderiam produzir novos desdobramentos políticos.
Para o PlatôBR, esse conjunto de expectativas indica que o ambiente político e jurídico de Brasília deverá continuar sob tensão até a realização do segundo turno presidencial.