
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, o maior percentual entre os governadores do país, desponta como um dos nomes da esquerda para a eleição presidencial de 2030. Com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) impedido de disputar um novo mandato consecutivo, e o ministro do STF Flávio Dino dependendo de uma saída da Corte para voltar à política, Fonteles ganha força como alternativa mais viável.
Rafael Tajra Fonteles nasceu em 6 de maio de 1985, tem 41 anos e é filho do político petista Nazareno Fonteles. Seria um dos candidatos mais jovens da disputa: em 2030, completaria 45 anos. Formado em Matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), é mestre em Economia Matemática pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e foi professor universitário. Filiado ao PT desde 2003, construiu a carreira dentro do próprio Executivo estadual.
O salto veio em 2015, quando, aos 29 anos, foi convidado pelo então governador Wellington Dias (PT) para comandar a Secretaria de Estado da Fazenda, cargo que ocupou até 2022. À frente da pasta, coordenou o Pró-Piauí, programa de investimentos que levou obras e ações aos 224 municípios, e ajudou a deixar o estado sem dívidas com a União, segundo o PT. Também presidiu o Comsefaz, comitê nacional dos secretários de Fazenda dos estados e do Distrito Federal, por dois mandatos, entre 2019 e 2023, o que lhe deu trânsito entre governadores e ministros.
Em 2022, aos 37 anos, foi eleito governador no primeiro turno, com a maior votação já registrada na história política do Piauí. Presidiu o Consórcio Nordeste, que reúne os nove governadores da região, sucedendo a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT). Entre as medidas de seu primeiro mandato está a privatização do saneamento básico do estado. Em 2026, teve como vice o ex-secretário de Educação Washington Bandeira (PT) e venceu novamente no primeiro turno, mantendo o PT no comando do Palácio de Karnak, que o partido ocupa em seis das sete últimas eleições para governador.
O nome de Fonteles circula entre os possíveis sucessores de Lula. Ao listar os quadros que a esquerda precisa preparar, o presidente citou Camilo Santana, Rui Costa, Fernando Haddad, Rafael Fonteles, João Campos e Guilherme Boulos, mas não mencionou Dino. Fonteles é aliado de primeira hora de Wellington Dias, que coordenou a campanha de Lula, e também do ex-ministro da Fazenda Haddad.
O perfil tem vantagens e pontos de atenção. A favor, estão a idade, a formação técnica, a gestão bem avaliada nas urnas e a boa relação com o PT nacional. Contra, pesam o peso eleitoral reduzido do Piauí, com cerca de 2,7 milhões de eleitores, e o fato de ainda ser pouco conhecido fora do Nordeste. Para concorrer à Presidência em 2030, também precisaria renunciar ao governo até seis meses antes da eleição, abrindo mão do cargo no último ano de mandato.
Já Dino, ex-governador do Maranhão e ministro do Supremo desde 2024, precisaria deixar a Corte para disputar. Seu nome segue lembrado por aliados, mas o projeto é tratado como mais distante.