
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre uma possibilidade para parte da elite política do Maranhão que não conseguiu se eleger em 2026. Aliados do presidente no estado, esses nomes ficam sem mandato a partir de 2027 e podem ser lembrados para cargos no governo federal durante a montagem do novo ciclo. Até o momento, nenhum nome foi anunciado, e a avaliação é apenas uma leitura de bastidores.
A eleição no estado foi marcada por derrotas de peso. Para o Senado, os eleitos foram André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo), ambos da chapa do governador eleito, Eduardo Braide (PSD). Ficaram de fora Roseana Sarney (MDB), com 16,37%, Weverton Rocha (PDT), com 15,17%, e Eliziane Gama (PT), com 9,75%. Os dois últimos foram eleitos em 2018 com o apoio do hoje ministro do STF Flávio Dino, e seus mandatos terminam em fevereiro de 2027.
Eliziane Gama é uma das aliadas mais próximas de Lula no estado. Evangélica, filiou-se ao PT em 2026 e apoiou o presidente nas últimas duas eleições, incluindo em 2022, quando enfrentou uma nota de repúdio de lideranças da Assembleia de Deus. Colunistas locais já apontavam que o presidente usava a relação com ela para se aproximar da bancada evangélica no Congresso, o que a torna um nome estratégico para o diálogo com esse segmento.
Felipe Camarão (PT) terminou a disputa pelo governo em terceiro lugar, com 9,59% dos votos válidos, atrás de Braide e de Orleans Brandão (MDB). Vice-governador até o fim do ano, foi por seis anos secretário de Educação do Maranhão e é aliado de Dino. É o candidato do PT que mais deve cobrar espaço do governo federal após a derrota.
Carlos Brandão (MDB) entrega o Palácio dos Leões em 31 de dezembro, depois de ver o projeto de continuidade de seu grupo, representado pelo sobrinho Orleans Brandão (MDB), que obteve 34,68% e ficou em segundo lugar, interrompido por Braide.
Roseana Sarney tem um precedente a seu favor. Em 2006, após ser derrotada na disputa pelo governo do Maranhão, ela foi convidada por Lula para integrar o ministério, segundo relatos da época. A família Sarney mantém uma relação histórica com o presidente, e Roseana deixa a Câmara dos Deputados em 2027, após ficar fora do Senado.
O cenário se completa com a nova correlação de forças no estado. Braide, que se elegeu sem apoiar nenhum dos candidatos à Presidência, assume o governo com dois senadores de campos opostos. Isso deixa os aliados de Lula sem a máquina estadual e reforça a lógica de buscar espaço em Brasília.