
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre, ao mesmo tempo, a contagem regressiva para a sucessão. Ao vencer em 2026, o presidente fica impedido pela Constituição de disputar um terceiro mandato consecutivo em 2030, quando completaria 84 anos. Com isso, a esquerda terá de definir um novo nome para encabeçar a chapa daqui a quatro anos.
O próprio Lula já indicou quem enxerga como possíveis herdeiros. Em entrevista a podcasts em agosto, ele citou Camilo Santana, Rui Costa, Fernando Haddad, Rafael Fonteles, João Campos e Guilherme Boulos, mas ressaltou que nenhum deles é, hoje, uma liderança nacional e que todos precisam ser preparados. Veja a situação de cada um.
Rafael Fonteles (PT), governador do Piauí, chega a 2030 com o melhor momento eleitoral entre os cotados. Foi reeleito no primeiro turno, com 70,90% dos votos válidos, o maior percentual entre os governadores do país. Lula o definiu como um quadro político jovem e extraordinário.
Rui Costa (PT) foi eleito senador pela Bahia, com 30,07% dos votos, e garante mandato de oito anos a partir de 2027. Ex-governador do estado e ex-ministro da Casa Civil, tem o peso político do maior colégio eleitoral do Nordeste, mas carrega a avaliação de que não empolgou à frente do cargo no governo federal.
Camilo Santana (PT), ex-governador do Ceará, senador e ministro da Educação, é visto como um dos nomes de maior sucesso administrativo do PT no Nordeste. Lula destacou o desempenho dele no Ceará ao listar os possíveis sucessores.
Fernando Haddad (PT) é o nome que Lula tratou como de potencial extraordinário, mas disse que ainda precisa de mais características de liderança. Ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, foi derrotado por Tarcísio de Freitas no governo paulista, já no primeiro turno, o que pesa contra seu nome.
João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, é apontado como a grande aposta de renovação geracional. Terá 36 anos em 2030, um acima da idade mínima exigida. Perdeu a disputa pelo governo de Pernambuco para a governadora Raquel Lyra (PSD) no primeiro turno, o que abala o projeto, mas não o encerra.
Guilherme Boulos (PSOL), ministro da Secretaria-Geral da Presidência, busca se consolidar como o nome da esquerda em São Paulo, onde chegou a dois segundos turnos na disputa pela prefeitura. Enfrenta resistência entre eleitores moderados, e há pressão para que se filie ao PT.
Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, disputou a Presidência em 2022 pelo MDB e terminou em terceiro lugar. Em 2026, teve a derrota na corrida pelo Senado em São Paulo, onde também ficou em terceiro, o que enfraquece sua posição.
O ministro do STF Flávio Dino é lembrado em conversas sobre o futuro da esquerda, mas, para disputar uma eleição, precisaria deixar a Corte. Ele nunca descartou a política, e o cenário é tratado como um projeto mais distante.
Do outro lado, a direita já tem nomes competitivos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reeleito em 2026, e o próprio Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a disputa deste ano com votação expressiva. A esquerda terá de mostrar quem vai unir o campo nos próximos quatro anos.